Fotossíntese

entenda a fotossíntese – o modo na qual as plantas adquirem seus nutrientes.

Visão geral da fotossíntese

Na fotossíntese, as moléculas de gás carbônico e de água são transformadas em açúcares com a utilização de energia luminosa. O processo pode ser resumido pela equação química abaixo (embora a glicose não seja o principal glicídio produzido, como veremos adiante):

6CO2 + 6H2O > C6H12O6 + 6O2


Clorofila e absorção de luz

A luz é uma onda eletromagnética como as ondas de rádio e de TV, as micro-ondas, os raios infravermelhos, ultravioleta, X e gama. Essas ondas eletromagnéticas são estudadas em Física. As ondas transmitem energia. A luz corresponde a uma parte da energia transmitida pelo Sol e se diferencia das outras ondas por sua frequência (número de oscilações de cada ponto da onda por unidade de tempo) e seu comprimento de onda (distância entre dois pontos mais altos ou mais baixos consecutivos). A luz branca é formada pela mistura de vários comprimentos de onda, registrados por nossos olhos com cores diferentes. E o que ocorre quando observamos um arco-íris ou quando a luz branca atravessa um prisma de vidro. O conjunto de cores que forma a luz branca é chamado espectro da luz visível. Da mesma forma que nossos olhos só percebem certos comprimentos de onda (não somos capazes de ver o ultravioleta, por exemplo, as moléculas de clorofila só absorvem certos tipos de luz; elas absorvem bem as luzes vermelha, laranja, azul e violeta, e refletem grande parte da luz verde, absorvendo dela pouca energia. A cor verde que vemos nas plantas é justamente o reflexo dessa luz não absorvida. Para comprovar isso, em 1883 o botânico alemão Theodor W. Engelmann (1843-1909) realizou um experimento interessante. Colocou um filamento de alga (gênero Cladophora) em um meio com bactérias aeróbias e iluminou o conjunto com as diversas cores que compõem a luz branca. Observando maior acúmulo de bactérias nas regiões iluminadas pelo vermelho (na faixa de 700 nm) e pelo azul (na faixa de 450 nm), ele concluiu que nesses dois locais havia maior desprendimento de oxigênio e, consequentemente, que nessas regiões ocorria mais fotossíntese.

No entanto, a planta utiliza parte da luz verde fotossíntese, visto que parte dessa cor é absorvida por outros pigmentos, que cedem a energia absorvi- da para a clorofila.


Etapas da fotossíntese

A fotossíntese pode ser dividida em duas etapas: a fotoquímica (fase clara) e a química (fase escura). Durante a etapa fotoquímica, a energia luminosa é absorvida pela clorofila e armazenada em moléculas de ATP. Além disso, a luz promove a transformação da água em hidrogênio e oxigênio. Enquanto o oxigênio é liberado pela planta, o hidrogênio e a energia do ATP são usados na fase seguinte, que não usa luz, para transformar o gás carbônico em glicose, Para isso, o hidrogênio é transportado para o estroma do cloroplasto (a fase clara ocorre nos tilacoides) combinado à nicotinamida adenina dinucleotídeo fosfato (NADP), molécula semelhante ao NAD da respiração com mais um fosfato.

Esquema geral das duas etapas da fotossíntese.

A etapa química, também chamada ciclo das pentoses ou de Calvin ou de Calvin-Benson, ocorre no estroma e foi estudada no final da década de 1940 pelo bioquímico norte-americano Melvin Calvin (1911- 1997) e seus colaboradores, principalmente Andrew Benson (1917). Na etapa química, por meio de uma série de reações químicas, são sintetizados glicídios a partir do gás carbônico e dos hidrogênios produzidos na etapa fotoquímica. A energia para essa síntese vem do ATP, também produzido na primeira etapa. A conversão do gás carbônico em um composto orgânico (um glicídio) é chamada fixação do carbono. Desse modo, as duas etapas estão relacionadas, pois os átomos de hidrogênio necessários à segunda etapa são fornecidos pelo NADPH, e a energia vem do ATP originado na primeira etapa.


Velocidade da fotossíntese

Em condições normais, é muito difícil que todos os requisitos necessários à fotossíntese estejam presentes nas quantidades ideais; portanto, ela não ocorre com eficiência máxima.

Analisaremos a seguir a variação da velocidade da fotossíntese em relação a três fatores: luz, gás carbônico e temperatura.

Influência da luz

A velocidade da fotossíntese pode ser calculada medindo a quantidade de oxigênio liberada. Quanto maior essa quantidade, maior a velocidade do processo.

Gráfico da velocidade da fotossíntese em função da intensidade luminosa.

A planta respira o tempo todo, mas, durante o dia, quando a intensidade da luz é maior que o ponto de compensação, a produção de oxigênio torna-se maior que o consumo; o que sobra é liberado para a atmosfera.

Influência do gás carbônico

A concentração de gás carbônico na atmosfera (cerca de 0,03%) é um fator importante na limitação da velocidade da fotossíntese de uma planta bem iluminada. Aumentando a concentração desse gás, a velocidade aumenta até que a luz ou outros fatores passem a ser limitantes.

Gráfico da velocidade da fotossíntese em função da concentração de gás carbônico em diferentes intensidades.

Influência da temperatura

O aumento da temperatura acelera as reações químicas da fase escura, mas influência pouco a fase luminosa, na qual as reações dependem apenas da energia luminosa. Por isso, se a planta estiver pouco iluminada, o aumento da temperatura terá pouco efeito, uma vez que os produtos da fase luminosa – ATP e NADPH – estão presentes em pequena quantidade. Se a planta estiver bem iluminada (o que corresponde a uma boa quantidade de NADPH e ATP), o aumento da temperatura provoca aumento significativo na velocidade. O aumento da velocidade da fotossíntese em decorrência da elevação da temperatura só ocorre até determinado ponto. A partir dele, o calor desnatura as enzimas que catalisam as reações com cadeias químicas de carbono. A velocidade começa a diminuir até o processo cessar de todo, e a planta pode morrer.

Gráfico da velocidade da fotossíntese em função da temperatura.

Quimiossíntese

Certas bactérias que vivem no solo são capazes de sintetizar substâncias orgânicas a partir de gás carbônico, água e outras substâncias inorgânicas sem utilizar energia luminosa. Elas provocam a oxidação de substâncias minerais do solo ou da água (amônia, enxofre, sais de ferro, etc.) e aproveitam a energia liberada para sintetizar açucares. A partir destes, outras substâncias orgânicas são produzidas. Esse processo, chamado quimiossíntese, pode ser esquematizado assim:

Comparada à fotossíntese, a quimiossíntese representa uma fração muito pequena do processo de produção de cadeias de carbono. Entretanto, tem importância no ciclo dos compostos nitrogenados. Algumas bactérias quimiossintetizantes oxidam a amônia, originada da decomposição da matéria orgânica, em nitrito (um sal mineral); outras bactérias transformam o nitrito em outro sal, o nitrato, que é absorvido pelas raízes das plantas e usado na síntese de proteínas. A energia liberada nesses processos é usada por essas bactérias na síntese de produtos orgânicos. Ao mesmo tempo, elas promovem a reciclagem do nitrogênio dos organismos mortos.

Veja abaixo um esquema desses dois casos de quimiossíntese:

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